Os Capixabas

Contenido: Introducción. Academia Espirito-santense de Letras. Mi poema traducido al portugués. Origen del Nombre Os capixabas. Historia y personajes. Literatura en Espírito Santo, por Francisco Aurélio Ribeiro

Academia Espírito-santense de Letras

A 20 de agosto de 1922, é ampliado o número de cadeiras da Academia, elegendo-se Afonso Correia Lyrio, Manoel Lopes Pimenta, Heráclito Amâncio Pereira, Aristóbulo Barbosa Leão, José de Barros Wanderley, Manoel Teixeira Leite, Álvaro Henrique Moreira de Souza, José Madeira de Freitas, Jair Tovar, Afonso Cláudio e Aurino Quintais, com destaque para os jornalistas, advogados, professores e homens de letras. A 28 de setembro de 1923, instala-se solenemente a Academia Espírito Santense de Letras, com o seu quadro completo, composto por 20 membros efetivos, no Salão Nobre da Escola Normal Pedro II.  A 13 de maio de 1924, os acadêmicos Afonso Lyrio e Aristóbulo Leão apresentam as bases para um concurso para a escolha de letra e música do hino espírito-santense. D. Benedito A. de Souza parte para Roma e passa a presidência da Academia a Alarico de Freitas. No enteanto, após a sua volta da Europa, solicita a sua posse na Instituição e reassume a Presidência da Academia.

No início da década de 30, sofre mudanças em sua composição e entra numa fase de inatividade, em razão da saída de D. Benedito da diocese do Espírito Santo e da transferência de alguns de seus membros mais atuantes para o Rio de Janeiro: Alarico de Freitas, Garcia de Rezende, Afonso Lyrio, Aristeu Aguiar, Jair Tovar.

Em 1931, um grupo de jovens escritores propõe a fundação de uma nova Academia, que toma forma no ano seguinte como Academia Espírito Santense dos Novos, idealizada por Beresford Moreira e apoiado por jovens poetas e intelectuais. Entre eles destacam-se: Adalberto Silveira Roza, Abílio de Carvalho, Aldércio de Aquino, Alvimar Silva, Antonio Pinheiro, Eimard Cardoso de Barros, Francisco dos Santos Silva, Jair Amorim, Joaquim Ramos, Joaquim Rodrigues de Barros, Jacel Militão, Milton Amado, Nilo Aparecida Pinto, Wladir Menezes, etc.

Em 18 de setembro de 1937, os veteranos acadêmicos reunem-se na Sede de AEI- Associação Espírito Santense de Imprensa, com o objetivo de traçar estratégias para dar à Academia novo impulso e alento, capaz de reerguê-la e dar-lhe vida. Uma das idéias é preencher as vagas remanescentes pela saída e morte de acadêmicos.

Inscrevem-se e são aceitos novos intelectuais e escritores de projeção naquele momento: Carlos Xavier Pais Barreto (magistrado, publicista e historiador), Abner Mourão (advogado, parlamentar e jornalista), Augusto Lins (advogado, poeta, publicista e orador), Almeida Cousin (professor, poeta e escritor).

Os novos membros reformulam o estatuto e elevam para trinta o número de cadeiras da Academia. Na sessão de 21 de junho de 1938 são eleitos os novos acadêmicos: Alvimar Silva, Carlos Madeira, Beresford Moreira, Antônio Pinheiro, Cyro Vieira da Cunha, Ernestro Guimarães, Eurípedes do Valle, Colares Júnior e Abílio de Carvalho. Alguns deles são remanescentes da extinta “Academia dos Novos”, do “Grêmio Rui Barbosa” (fundado em 1932), da “Sociedade Espírito Santense de Letras” (fundada na década de 30, mas de vida efêmera), entre outras instituições já desaparecidas.

Inicia-se uma fase de grande vitalidade da Academia, com a aceitação de alguns imortais mais jovens, como Augusto Lins. As reuniões da Academia se dividem agora entre a Sede da Associação Espírito Santense de Imprensa, a redação da revista Canaan, de Carlos Madeira e a Biblioteca do Clube Vitória, no Parque Moscoso. O então, Presidente Augusto Lins desenvolve intensa atividade cultural e consegue que o governo federal subvencione a Academia, o que permite a aquisição de material e condições de organização e manutenção.

Em maio de 1939, o número de cadeiras passa a ser de quarenta. A Academia publica uma antologia dos melhores trabalhos, em prosa e em verso, de todos os seus membros e de seus patronos. Entre os falecidos estavam Afonso Cláudio, Cassiano Castelo, Ferreira Coelho e Thiers Velloso. A antiga “Academia dos Novos” é substituída pela Academia Capixaba de Novos, fundada a 14 abril de 1947, tendo Orlando Carielo como presidente.

Em 1941, o acadêmico Eurípedes Queiroz do Valle propõe a publicação de um Dicionário Biográfico do Estado. Em dezembro do mesmo ano esse atuante imortal assume a Presidência da Academia, com um mandato repleto de realizações. Consegue do Interventor Federal João Punaro Bley a concessão de uma sede para a Academia Espírito Santense de Letras no edifício do Banco Agrícola do Estado, na Praça 8 de Setembro.

A nova sede foi instalada oficialmente a 19 de abril de 1942. Nela foi reorganizada e ampliada a Biblioteca, com a criação da seção do Espírito Santo e a Divisão de Escritores Espírito Santenses, bem como a galeria geral dos patronos (inaugurada em 1943). Propunha também a realização de conferências mensais, abertas ao público; o apoio a eventos organizados pelo Instituto Histórico e geográfico do Espírito Santo e pela Associação Espírito-Santense de Impresa; oferecer cursos de línguas à comunidade, que começaram a funcionar no Centro Espírito-Santense de Esperanto, em 1944. A partir daí, o quadro de sócios correspondentes é aumentado e implementado: Pedro de Alcântara Cavalcanti de Albuquerque (general), Aristides Mariano de Azevedo (advogado e jornalista), Elora Possolo Chauol (professora), Dinah Silveira de Queiroz (escritora e romancista).

A Academia Espírito-Santense de Letras continua a sua trajetória na defesa das letras e da cultura local até hoje, evidentemente com novos membros, que mantêm viva a chama acessa na década de 20, quando a causa modernista é abraçada por todos.

Fonte: VALLE, Eurípedes Queiroz do. A Academia Espírito- Santense de Letras (resenha histórica). Vitória, Vida Capixaba, 1945.

 

Praia de Camburi, espaço de arribadas
Poema de Pedro Sevylla de Juana

Água de mar feita espuma
terminal e instável; explosivas
borbulhas sobre os grãos
dessa areia que é prólogo e epílogo,
logradouro de entrelaçados
ritmos mutáveis dos passos múltiplos,
palmeiras
firmes,
erguidas,
escuro asfalto ardente
e elevadas torres cidadãs
de miradas
extensas, intensas, satisfeitas.

Eu vi a fita completa, desde o ar
ao descer à terra no vizinho aeroporto,
onde encontrei a bagagem perdida em Guarulhos,
milagre ainda não explicado
pela ciência mais prática.

Com a satisfação de ter chegado
ao meu sonho desde o sono
vi a alongada e estreita tira
comprimida entre a água e os veículos,
crescendo ao comprido como única
solução possível
para seu afã expansivo
e sua claridade.

A soube depois
ilustrada como os frisos das aulas
como os pássaros do campus
pela sua proximidade à UFES
onde conferenciei ao redor de minha escrita
e sobre Ibéria e sua consequência:
Universo Ibero
de enorme projeção nesse
aglomerado americano de ideias e culturas
sul do norte, centro, verdadeiro sul, em dois idiomas
principais, minhas duas pátrias.

Atalaias de edifícios vicinais,
viaturas avançando devagar
sobre crescido pavimento de ida e volta
que descansa nos domingos;
passeio aspergido de aguadeiros de coco,
pedestres, e ondulantes bicicletas:
fotografei um homem,
africano ainda e brasileiro íntegro,
subido em duas rodas, e sorrindo
ao se cruzar comigo num quebro
respeitoso.

Mar, mar, mar
inseparável companheiro da praia, cúmplice
desse amor tão desejado e impossível;
árvores e arbustos famintos de afetos
sobre areia inúmera,
fina língua disgregada em grãos
e água chegada em ondas moribundas
agonizantes
séculos e séculos, noite e dia;
Praia de Camburi, domesticada orla,
caminho
vereda
senda
relações pessoais, desportos, dança, vida
lugar do mundo situado
em Vitória ES Brasil.

Praia continental que procura
o amoroso encontro
com a Ilha de solidão:
bastião forte,
castelo outrora inexpugnável
e hoje quase península,
pontes que são braços
de seda ou amarras de navio.

Amável Praia de Camburi:
areia,
areia,
areia
milímetros, centímetros, decímetros, metros;
decâmetros, hectómetros, quilómetros
de areia, areia, areia, seis
quilómetros para caminhar,
correr, saltar, praticar ou ver
os jogos de equipa confrontados
em nobre lide.

Jovens esculturas de carne e osso,
homens e mulheres usufruem a praia:
uma Roma humana e viva, uma Atenas
de esculturais corpos inteiros
ginastas,
cabeça, corpo e extremidades
atléticos,
vivos, sangue e nervos,
músculos mestiços
em conjunção melhoradora e insuperável.

Praia de nascimentos e agonias,
praia de amores cálidos e ardentes,
mãos nas mãos
braços sobre os ombros
beijos nos cabelos
e nos lábios,
amor em todas as formas e expressões.

Contaminada de resíduos
humanos e inumanos,
sob o céu azul com pinceladas
de nuvens brancas, andorinhas, colibris,
sobre magma, granito e crosta,
me comovem hoje os peixes
engolindo
o anzol coberto de isca
que os pescadores lançam
desde o Píer
de Iemanjá.

Orla húmida de pegada antiga,
amanhecer do primeiro dia
da Nova História,
quando as músicas tupinambá e tupiniquim
que soavam no confim oriental
foram silenciadas de repente
pelo arribo dos indefiníveis conquistadores:
espada e cruz
a língua portuguesa
vencedora final da resistente tupi-guarani
arengas e orações
versos de Anchieta:
evangelizador enraizado na Castela
daqueles nobres camponeses
dos que provenho.

Tenho visto nascer o sol magnífico
se elevando sobre Tubarão como uma hóstia
no ato da transubstanciação
mãos do sacerdote alçadas
desde essa orla terminal, que é ponta e cabo
conformando a extensa baía.

Meu coração, em sua parte capixaba,
se despede na distância a cada ano do ano
velho que se vai ao intangível alvitre:
água, areia, fogo,
ar
e tempo:
os cinco elementos se fazendo unidade
inseparável.

Mitifiquei essa praia de contrastes
e tanto, tanto a sento,
tão palpável
e tão vivo guardo ainda o seu recordo
que, sentindo sua falta ainda,
muitas noites nela me sonho.

PSdeJ El Escorial, últimos dias de abril de 2017

 

 

 

 

Playa de Camburi, espacio de arribada.
Poema traducido por el autor
Pedro Sevylla de Juana

Agua de mar hecha espuma
terminal e inestable; explosivas
burbujas sobre los granos
de esa arena que es prólogo y epílogo,
paseo de entrelazados
ritmos cambiantes de los pasos múltiples,
palmeras
firmes,
enhiestas,
oscuro asfalto ardiente
y elevadas torres ciudadanas
de miradas
extensas, intensas, satisfechas.

Vi la cinta completa desde el aire
al tomar tierra en el vecino aeropuerto,
donde encontré el equipaje perdido en Guarulhos
milagro aún no explicado
por la ciencia más práctica.

Con la satisfacción de haber llegado
a mi sueño desde el sueño
vi la alargada y estrecha tira
comprimida entre el agua y los vehículos,
creciendo a lo largo como única
solución posible
para su afán expansivo
y su claridad.

La supe luego
Ilustrada como los frisos de las aulas
como los pájaros del campus
por su proximidad a la UFES
donde conferencié alrededor de mi escritura
y sobre Iberia y su consecuencia:
Universo Ibero
de enorme proyección en ese
aglomerado americano de ideas y culturas
sur del norte, centro, verdadero sur, en dos idiomas.
principales, mis dos patrias.

Atalayas de edificios vecinales,
automóviles avanzando despacio
sobre un pavimento de ida y vuelta
que descansa los domingos;
itinerario salpicado de aguadores de coco,
peatones y ondulantes bicicletas:
fotografié a un hombre,
africano aún y brasileño íntegro,
subido en dos ruedas, sonriendo
al cruzarse conmigo en un quiebro
respetuoso.

Mar, mar, mar
inseparable compañero de la playa, cómplice
dese amor deseado e imposible;
árboles y arbustos hambrientos de afectos
sobre arena incontable,
delgada lengua disgregada en finos granos
y agua llegada en olas moribundas
agonizantes
siglos y siglos, noche y día,
Playa de Camburi, domesticada orla,
camino
vereda,
senda
relaciones personales, deportes, danza, vida
lugar del mundo situado
en Vitória ES Brasil.

Playa continental que busca
el amoroso encuentro
con la Isla de soledad,
bastión fuerte,
castillo otrora inexpugnable
y hoy casi península,
puentes que son brazos
de seda o amarras de navio.

Amable Playa de Camburi:
arena,
arena,
arena
milímetros, centímetros, decímetros, metros;
decámetros, hectómetros, kilómetros
de arena, arena, arena, seis
kilómetros para caminar,
correr, saltar, practicar o ver
los juegos de equipo confrontados
en noble lid.

Jóvenes esculturas de carne y hueso,
hombres y mujeres disfrutan la playa:
una Roma humana y viva, una Atenas
de esculturales cuerpos completos,
gimnastas,
cabeza, cuerpo y extremidades
atléticos,
vivos, sangre y nervios,
músculos mestizos
en conjunción superadora insuperable.

Playa de nacimientos y agonías,
Playa de amores cálidos y ardientes
manos en las manos
brazos sobre hombros
besos en los cabellos
y en los labios
amor en todas las formas y expresiones.

Contaminada de residuos
humanos e inhumanos
bajo el cielo azul con pinceladas
de nubes blancas, golondrinas, colibríes
sobre magma, granito y corteza,
me conmueven hoy los peces
engullendo
el anzuelo cubierto de cebo
que los pescadores lanzan
desde el muelle
de Iemanjá.

Orla húmeda de huella antigua
amanecer del primer día
de la Nueva Historia
cuando las músicas tupinambá y tupiniquim
que sonaban en el confín oriental
fueron silenciadas de pronto
por el arribo de los indefinibles conquistadores:
espada y cruz
la lengua portuguesa
vencedora final de la resistente tupí guaraní
arengas y oraciones
versos de Anchieta:
evangelizador enraizado en la Castilla
de aquellos nobles campesinos
de los que provengo.

He visto nacer el sol magnífico
elevándose sobre Tubarão como una hostia
en el acto de la transustanciación
manos del sacerdote alzadas
desde esa orilla terminal, que es punta y cabo
conformando la extensa bahía.

Mi corazón, en su parte capixaba,
se despide en la distancia cada año del año
viejo que se va a la intangible inspiración:
agua, arena, fuego
aire
y tiempo:
los cuatro elementos haciéndose unidad
inseparable.

Mitifiqué esa playa de contrastes
y tanto, tanto la siento,
tan palpable
y tan vivo guardo aún su recuerdo
que, añorándola todavía,
muchas noches en ella me sueño.

 Pedro Sevylla de Juana é Académico correspondente da Academia Espirito-santense de Letras

Origem do termo Capixaba.

Segundo os estudiosos da língua tupi, capixaba significa, roça, roçado, terra limpa para plantação. Os índios que aqui viviam chamavam de capixaba sua plantação de milho e mandioca. Com isso, a população de Vitória passou a chamar de capixabas os índios que habitavam na região e depois o nome passou a denominar todos os moradores do Espírito Santo.

Personagens Históricos

Vasco Fernandes Coutinho

Nascido em Portugal (1490), tornando-se destaque nas conquistas portuguesas na áfrica e na ásia, Vasco Coutinho foi o primeiro capitão-donatário da Capitania do Espírito Santo (1535). Uma vez estabelecido, fundou as vilas de Vila Velha e Vitória e colaborou ativamente para o desenvolvimento da agricultura com a distribuição de terras para cultivo (sesmarias) e na construção de engenhos para a produção de açúcar.

Frei Pedro Palácios

Irmão leigo franciscano, a ele atribui-se a fundação do Convento da Penha, em Vila Velha. Nasceu na Espanha, na cidade de Medina do Rio Seco, mudou-se para Portugal e, em 1558, chegou à Capitania do Espírito Santo. Conta-se que na viagem para o Brasil, ele teria acalmado uma forte tempestade e desde então, ficou conhecido como “o santo frade”. No ES, a “Gruta do Frei Palácios” é até hoje conhecida. Formado pela natureza, no monte onde se localiza o Convento da Penha, o vão teria sido – segundo historiadores – a primeira “residência” do frei em terras capixabas.

Araribóia

Cacique da tribo dos temiminós (grupo indígena tupi) perdeu o controle sobre seus domínios quando os franceses – ajudados pelos Tamoios – tomaram a Guanabara, na Capitania do Rio de Janeiro em 1555. Sem suas terras, Araribóia e sua tribo vieram para a então Capitania do Espírito Santo reorganizar sua aldeia. Aliado dos portugueses na retomada da Guanabara, o cacique teria reforçado com em milhares de homens, indígenas e inimigos dos Tamoios as forças lusas. Uma luta da qual saíram vitoriosos.

Padre José de Anchieta

Missionário jesuíta, José de Anchieta nasceu Ilhas Canárias e abraçou sua vocação religiosa ainda jovem. Em 1553, aos 19 anos, foi convidado a vir ao Brasil acompanhando Duarte da Costa, segundo governador-geral nomeado pela Coroa Portuguesa. Estabeleceu-se em São Vicente (primeira vila fundada no Brasil) e lá teve seu primeiro contato com os índios, começando seu trabalho de conversão batismo e catequese, que incluía poesia e teatro. Em 1585, já no Espírito Santo, fundou a aldeia de Guaraparim (atual Guarapari). Morou no estado promovendo sua fé entre os nativos até a sua morte – em Reritiba, 1597. Seu cortejo fúnebre foi acompanhado por 3000 índios, num percurso de 90 quilômetros de Reritiba até Vitória. A localidade se chama hoje Anchieta e o padre, depois de um processo que durou séculos, foi beatificado pelo Papa João Paulo II em 1980.

Maria Ortiz

Jovem capixaba de origem espanhola, Maria Ortiz (nascida em 1603) é considerada por muitos uma heroína brasileira. Vivendo na Capitania do Espírito Santo, ela teria iniciado a resistência a um ataque-surpresa holandês a Vitória em 1625. De cima de uma ladeira (chamada Ladeira do Pelourinho, na época), jogando água fervente, paus, pedras e brasa sobre os invasores, incentivou a vizinhança a fazer o mesmo e teria conseguido retardar o avanço holandês dando tempo das tropas portuguesas organizarem seu contra-ataque. O lugar acabou tendo o nome trocado para Ladeira Maria Ortiz e, em 1924, virou uma escadaria e conservou o nome da jovem de atitude heróica. A Escadaria Maria Ortiz existe até hoje ligando as partes alta e baixa do Centro da cidade de Vitória.

Domingos José Martins

Nascido nas proximidades de Itapemirim, este personagem capixaba, que foi comerciante e estudou na Europa, destacou-se pela ativa participação na Revolução Pernambucana de 1817. O desejo de fazer aquela população livre do domínio português, o tornou forte disseminador dos ideais libertários, atuando também na luta que foi travada com o objetivo maior da independência do Brasil. Derrotado, com o fim da Revolução que durou menos de 80 dias, vários líderes do movimento foram fuzilados. Martins foi levado para a Bahia, julgado e também condenado à morte por fuzilamento. Patrono da Polícia Civil do Espírito Santo, ele também foi desta forma homenageado pelo Instituto Geográfico e Histórico do Estado.

Elisiário

Escravo que ficou conhecido por defender e propagar ideias libertárias entre os negros, além de chefiar a principal revolta de escravos do Espírito Santo, a Insurreição de Queimados, em 1849. Hoje incorporado ao município da Serra, Queimados foi a localidade escolhida pelo Frei Gregório José de Maria Bene para construção de uma igreja. Prometendo a liberdade para os escravos que concluíssem a obra, o frei, além de explorar o trabalho escravo, teria descumprido o trato gerando enorme revolta naqueles que ergueram a Igreja de Queimados. Os revoltosos, chefiados por Elisiário – o “Caudilho Negro” – e outros líderes negros como João e Chico Prego, resistiram com sua luta durante dias, percorrendo fazendas na tentativa de obrigar fazendeiros a assinar cartas de alforria. Vencidos pela força policial, foram presos, condenados à morte ou ao açoite. Elisiário teria escapado da prisão num momento de descuido dos guardas e se refugiado na mata. Há registros de que ele teria construindo um quilombo na região de Cariacica conhecida hoje como Piranema.

Caboclo Bernardo

Bernardo José dos Santos, pescador simples da Vila de Regência conhecido como Caboclo Bernardo, entrou para a história do Espírito Santo por sua bravura. Ele ajudou a salvar 128 tripulantes do navio Cruzador Imperial Marinheiro, da Marinha de Guerra do Brasil em 7 de setembro de 1887. A embarcação fazia o mapeamento da costa capixaba quando se chocou contra o portal sul da Barra do Rio Doce (a 120 m do povoado). Com o mar revolto, os moradores pouco conseguiram fazer para ajudar. Bernardo se dispôs a nadar até o navio levando um cabo que, preso a estrutura, pudesse trazer os marinheiros a terra. Foi preciso que ele se lançasse ao mar quatro vezes antes de conseguir completar a tarefa que salvou quase toda a tripulação. Condecorado pela Princesa Isabel, virou herói local.

Augusto Ruschi

Agrônomo, ecologista e naturalista brasileiro, o capixaba Augusto Ruschi (1915-1986), é o Patrono da Ecologia do Brasil e um dos ícones mundiais da proteção ao meio ambiente. Foi professor da UFRJ, pesquisador do Museu Nacional e ajudou na implantação de reservas ecológicas no país, como o Parque Nacional do Caparaó. Autoridade mundial em beija-flores e orquídeas; foi um dos primeiros homens a denunciar os efeitos danosos do DDT (utilizado na agricultura) sobre a natureza; a enfrentar a ditadura militar e denunciar o início da derrubada da Floresta Amazônica; a prever a escassez de água no mundo e o aquecimento global, e a denunciar o efeito danoso da agricultura em larga escala, com fertilizantes e agrotóxicos. No Espírito Santo, fundou o Museu de Biologia Mello Leitão (em Santa Teresa, onde nasceu) e no Rio de Janeiro colaborou na elaboração da Fundação Brasileira para Conservação da Natureza.

Colonização

Vasco Coutinho desembarcou na capitania em dia 23 de maio de 1535, desembarcando na atual Prainha de Vila Velha, onde fundou o primeiro povoamento. Como era oitava de Pentecostes, o donatário batizou a terra de Espírito Santo, em homenagem à terceira pessoa da Santíssima Trindade.

Para colonizar a terra, Vasco Coutinho dividiu a capitania em sesmarias – terras abandonadas e que, a partir da inclusão deste sistema, deveriam ser cultivadas, fomentando a agricultura e a produtividade. Esses “lotes” foram distribuídos entre os 60 colonizadores que vieram com ele. Como em Vila Velha não oferecia muita segurança contra os ataques dos índios que habitavam a região, Vasco Coutinho procurou em 1549 um lugar mais seguro e encontrou numa ilha montanhosa onde fundou um novo núcleo com o nome de Vila Nova do Espírito Santo, em oposição ao primeiro, que passou a ser chamado de Vila Velha. As lutas contra os índios continuaram até que no dia 8 de setembro de 1551, os portugueses obtiveram uma grande vitória e, para marcar o fato, a localidade passou a se chamar Vila da Vitória e a data como a de fundação da cidade.

Em seus 25 anos como donatário, Vasco Coutinho realizou obras importantes. Além da construção das duas vilas, também ergueu as duas primeiras igrejas locais: Igreja do Rosário, fundada em 1551 (ainda existente) e a Igreja de São João, ambas em Vila Velha.

Também foram construídos os primeiros engenhos de açúcar, principal produto da economia por três séculos. Uma iguaria que reinou absoluta até 1850, quando foi substituída pelo café. Em 1551, o padre Afonso Brás fundou o Colégio e Igreja de São Tiago. Foi esta construção que, após sucessivas reformas, transformou-se no atual Palácio Anchieta, sede do Governo do Estado.

Com a chegada de missionários, foram fundadas as localidades de Serra, Nova Almeida e Santa Cruz, em 1556. Dois anos mais tarde, a vinda de frei Pedro Palácios resultaria na fundação do principal monumento religioso do Estado: o Convento da Penha. Uma homenagem a Nossa Senhora da Penha, padroeira do Espírito Santo.

Presença Européia

Nos primórdios da colonização do Brasil, a cruz e a espada marcam a presença européia, símbolos da fé cristã e do poderio militar. No Espírito Santo, como em outras partes do Brasil que foram colonizados no século XVI, foram freqüentes as lutas pela posse da terra com a Igreja Católica atuando no auxílio ao predomínio lusitano através da ação dos jesuítas e franciscanos responsáveis pela catequese dos índios e pela assistência religiosa aos colonos e de seus familiares.

O colonizador português, responsável pela disseminação do idioma e da fé católica, queria a terra para explorar, plantar e produzir, e, produziu também cultura deixada por tradição nas cantigas de roda, nas brincadeiras infantis, na vestimenta, na culinária e, na arquitetura. O Convento de Nossa Senhora da Penha é o monumento mais popular do Estado do ES.

Outros remanescentes da arquitetura colonial portuguesa, como as igrejas, que pontificam o litoral capixaba, e as localizadas na capital, Vitória, e, o casario proveniente deste período, enriquece a herança cultural lusitana. Destacam-se a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e o citado Convento de Nossa Senhora da Penha em Vila Velha; a antiga Igreja de São Tiago, hoje Palácio Anchieta, sede do Governo Estadual, a Capela de Santa Luzia, a Igreja de São Gonçalo e a de Nossa Senhora do Rosário e o Convento de São Francisco e do Carmo na capital Vitória.

No município de Viana há a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, e a Igreja de Araçatiba, que foi sede de fazenda jesuítica que mantinha um engenho com escravos, residência, senzalas e oficinas. Em Nova Almeida e Carapina distritos do município de Serra, ainda existem a Igreja e Residência dos Reis Magos, sede de uma Redução Jesuítica e a Capela de São João Batista, antiga sede de uma fazenda de jesuítas. Em Guarapariencontra-se a Igreja de Nossa Senhora da Conceição e em Anchieta localiza-se a Igreja e Residência de Nossa Senhora da Assunção, que completa a herança colonial de tradição jesuítica no período colonial.

A arquitetura colonial secular e urbana, em Vitória está representada pelos sobradinhos geminados da Rua José Marcelino, localizados atrás da Catedral Metropolitana na parte alta da cidade. No bairro de Jucutuquara, a arquitetura rural do século XVIII encontra um exemplar no casarão onde funciona o Museu Solar Monjardin, antiga sede da Fazenda que pertenceu ao Barão de Monjardim. A defesa da entrada da barra era feita por fortalezas como a de São Francisco Xavier em Vila Velha e a Forte de São João ainda existentes.

Este legado cultural do período colonial é, sem dúvida, para as terras capixabas, o mais precioso patrimônio herdado do continente europeu. A partir de meados do século XIX quando o ES recebe grandes contingentes de imigrantes europeus este patrimônio se enriquece ainda mais. Na Europa ocorreram revoltas populares que visavam à unificação dos países que constituem hoje a Itália e a Alemanha. Estas guerras de unificação e o estabelecimento de um novo Estado geraram um grande empobrecimento, causando fome e falta de emprego à população pobre, mais notadamente a camponesa. Os governos desses países impunham “pesados tributos aos pequenos proprietários de terras, que, vivendo numa economia de subsistência e artesanal, eram incapazes de cumprir suas obrigações com o fisco”. Esta situação, somado ao desejo de se conseguir riqueza fácil e farta, fez ocorrer uma emigração em massa de suas populações a outros países, onde até se ofereciam aos aventureiros lotes de terras tornando-os pequenos proprietários rurais.

Imigrantes

O Brasil, em particular, precisava de braços para movimentar suas riquezas, uma vez que seu sistema de produção escravista começava a definhar. A proibição do tráfego de escravos a partir de 1850, fez com que houvesse, na opinião dos proprietários de terras, uma escassez de mão-de-obra, o que poderia prejudicar a economia Nacional.

A partir da chegada dos imigrantes, no século XIX, o Espírito Santo ganha nova configuração geográfica. As barreiras naturais apresentadas, principalmente pela Mata Atlântica, serão rompidas e o interior, sobretudo o norte do Estado, até então intocado, recebeu novos habitantes.

O Espírito Santo recebeu imigrantes de diversas partes da Europa, principalmente da Alemanha e da Itália que, junto com os portugueses, africanos e indígenas aqui residentes deram os traços principais da cultura capixaba. Igrejas, casarios, calçamentos guardam ainda marcas das influências destes povos. Os sítios históricos de Muqui, Santa Leopoldina, São Pedro do Itabapoana, o casario do Sítio do Porto de São Mateus e as tradições culturais de municípios como Santa Tereza, Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante entre outros compõem a riqueza cultural e econômica do Estado

O Espírito Santo é o resultado de uma mistura, um encontro de raças que faz a sua história rica de tradição e costumes. A herança européia está presente nas montanhas do interior do ES nas danças italianas, pomeranas, alemãs, holandesas e polonesas que resistem e renovam-se. Elas foram incorporadas à cultura popular capixaba e suas apresentações são demonstrações de pura alegria. Na culinária, uma variedade de pratos. Dos italianos, temos o ministroni, anholini, tortei, sopa, pavese, risoto, e a famosa polenta. Dos alemães, chucrutes, geléias, biscoitos caseiros, café colonial e o brot (pão caseiro). Nos municípios de Domingos Martins, Marechal Floriano, Pedra Azul e Santa Teresa municípios originários de colônias de imigrantes europeus, acontecem anualmente festivais que chegam a receber 30 mil pessoas, como a Festa da Polenta, em Venda Nova do Imigrante, Festa do Vinho, em Santa Teresa, a do Morango, em Pedra Azul e a Sommerfest, em Domingos Martins. (Espírito Santo – um estado singular. Sandra Medeiros p.78)

Santa Teresa e Domingos Martins serviu de berço para dois cientistas de renome nacional e internacional, ambos descendentes de imigrantes europeus: Augusto Ruschi e Roberto Kautsky. O primeiro, destacou-se no estudo dos colibris. Foi biólogo pesquisador dedicado a luta ecológica, até a sua morte. O segundo, também já falecido, além de cientista, era estudioso das orquídeas e bromélias. Outras personalidades descendentes de europeus destacam-se pelo seu empreendorísmo e dinâmica oferecida por sua ação na economia capixaba. Um deles é o ítalo-capixaba Camilo Cola, proprietário do Grupo Itapemirim líder no setor rodoviário no país, e Helmut Meyerfreuld alemão ex-proprietário da Fábrica de Chocolates Garoto uma das três maiores fabricantes de chocolates do Hemisfério Sul. Destaca-se também O Grupo COIMEX pertencente à Família Coser um dos maiores exportadores de café do Brasil junto ao Grupo Tristão também exportador de café.

Arquitetura

Os sítios históricos de Muqui, São Mateus, Santa Leopoldina e São Pedro do Itabapoana também compõem a riqueza arquitetônica do Estado, sendo alguns dos mais significativos do país. No Sul do Estado destaca-se o Sítio Histórico de São Pedro do Itabapoana. A região foi colonizada por fazendeiros mineiros e fluminenses, descendentes de portugueses. Seu casario datado do século XIX, as ruas estreitas, obedecendo à declividade do terreno com calçamento em pé – de – moleque e antigas fazendas centenárias se mantém preservadas. Em Muqui, município vizinho destaca-se o conjunto arquitetônico que concentra o maior acervo de construções ecléticas do Espírito Santo enriquecidas por ornamentos, pinturas decorativas, materiais e técnicas construtivas do final do século XIX e início do século XX, adquirida por uma classe social que se enriquecia e buscava o conforto e novidades vindas da Europa. Os hábitos de influência européia desta aristocracia deixaram uma herança que caracteriza o município de maneira muito especial: o rico patrimônio arquitetônico. Em São Mateus, no norte do Estado, o velho porto fluvial com seu casario tipicamente colonial, constituiu também conjunto arquitetônico de grande valor histórico cujo apogeu sócio-econômico deu-as no final do Império e começo da República. Foi durante o século XIX com o aparecimento de grandes fazendeiros como barão de Timbuí e Aimorés, o Porto viveu sua fase áurea, com o surgimento de belos sobrados e casas comerciais – com suas coberturas em telhas tipo canal e gradios de ferro importados da Europa, impulsionadas pelo intenso movimento de barcos, representavam o poderio econômico do Porto.

Na região central do Estado localiza-se o Sítio Histórico de Santa Leopoldina que possui 38 imóveis; a maioria localizados na sede do município: são residências construídas pelos ricos comerciantes da região, descendentes de imigrantes alemães, austríacos, luxemburgueses, belgas e suíços datadas do final do século XIX e início do século XX. No interior, o Sítio Histórico completa-se com a existência de sedes e armazéns de fazendas e de uma igreja localizada no Distrito do Tirol.

Algumas comunidades deste município possuem denominações que homenageiam países e regiões da Europa como Suíça, Tirol, Holanda, e Luxemburgo. E outras guardam, como o município vizinho de Santa Maria de Jetibá, e, o de Vila Pavão, o dialeto Pomerano dividindo com o português a comunicação entre as pessoas. A religião Luterana também é outra importante herança cultural. No município de Domingos Martins o templo luterano está localizado na principal praça da cidade. É o primeiro templo protestante construído no Brasil. Ainda há o tradicional casamento pomerano que tem noiva vestida de preto cuja cerimônia pode durar até três dias.

Como bem já nos registraram os nossos mestres Luiz Guilherme Santos Neves, Léa Brígida de Alvarenga Rosa e Renato Pacheco “graças aos colonos europeus e aos seus descendentes, numerosas povoações e cidades surgiram no interior do Espírito Santo. Muitas regiões, onde eles se localizam, acabaram se tornando municípios do nosso Estado. Além disso, os europeus, sobretudo os italianos que vieram em grande número, tiveram notável influência com suas famílias numerosas na formação do povo capixaba”. Texto: Luciano Ventorim – Historiador

Francisco Aurélio Ribeiro

LA LITERATURA DE ESPÍRITO SANTO: UNA MARGINACIÓN PERIFÉRICA
Autor: Francisco Aurélio Ribeiro
Traducido al español por Edna Parra Cândido

RESUMEN
En este artículo, el autor realiza un análisis paralelo entre el desarrollo de la literatura y la marginación periférica en el Estado do Espírito Santo.

ABSTRACT
The author presents a parallel analysis between the development of literature and marginalization in Estado do Espírito Santo.

1. Introducción
Con sus 46.184,10 Km2 de extensión, el Estado do Espírito Santo representa tan sólo el 0,54% del territorio brasileño, a pesar de haber nacido grande, con las 50 leguas donadas por el rey D. João III a Vasco Fernandes Coutinho, su primer donatario, en 1534.
Con el descubrimiento de oro en Minas Gerais, hacia finales del siglo XVII, Espírito San- to se convirtió, por decreto real, en una trinchera natural y Vitória en una fortaleza para proteger la riqueza mineral descubierta a Oeste. El engrandecimiento de las “minas gerais” tuvo como consecuencia el vaciamiento de Espírito Santo, restando, en él, como cinco mil almas que no podían seguir la “fiebre del oro”: mujeres, niños, esclavos, curas y funcionarios públicos.
En 1720, Minas se volvió capitanía, y su capital Vila Rica, más tarde Ouro Preto, terminó por convertirse en el centro económico y, en consecuencia, literario del Brasil colonial, aunque la capital de Brasil permanecía todavía en Salvador. Vila Rica se convirtió, de hecho, en el centro político-económico-cultural del país, en el siglo XVIII. A partir del siglo XIX, con la llegada de la familia real, en 1808, Río de Janeiro se vuelve capital del reino de Brasil, Portugal y Algarve. En el siglo XX, con la industrialización, la llegada de los inmigrantes europeos y asiáticos y la cultura del café, São Paulo se vuelve el centro económico, cultural y político de Brasil.
Espírito Santo, pese a que pertenece a la región más rica de Brasil, el Sureste, siem- pre ha sido el “primo pobre”, menesteroso, de sus poderosos vecinos. A partir del siglo XVII, el movimiento de estilo barroco floreció en Bahia: Vieira y Gregório de Matos fueron sus más legítimos representantes.

El Arcadismo, influencia estética de las arcadias, irrumpió en Vila Rica, con los “inconfidentes”, en el siglo XVIII. Claudio M. da Costa y Tomás A. Gonzaga consagraron este estilo en Brasil; el siglo XIX vio surgir el Romanticismo en Rio de Janeiro, con su nacionalismo anudado a los ideales de la Independencia, y el Realismo, a finales del siglo, muy cercano a los ideales republicanos. Alencar y Machado de Assis fueron los próce- res de esos estilos. São Paulo aportó el clima y el contexto para que surgiera el Modernismo en el siglo XX, oficialmente a partir de 1922, liderado por Mário y Oswald de Andrade.
Y en Espírito Santo, ¿qué pasó en todas esas épocas? Literariamente muy poco. Nuestro Estado siempre ha vivido al margen de esos centros, en la periferia del poder político-económico y cultural brasileño, entre contiendas de “peroás” y “caramurus”. ¿Cómo habría sido la literatura producida en Espírito Santo o por capixabas en aquellas épocas? ¿Adhirieron los escritores a las transformaciones estéticas ocurridas en las diferentes épocas o permanecieron enclaustrados en sus torres de marfil, escribiendo poemas narcisistas o laudatorios a los gobernantes, dramas cursi históricos, regionalistas y provincianos? ¿Hacia dónde miraban los ojos de los escritores capixabas de entonces? ¿Hacia Portugal/Europa y sus sumacas escasamente surgidas en el horizonte marino? ¿Hacia los centros de poder, en Brasil? ¿O para sus mismos ombligos? ¿Sería la literatura producida en estos casi cinco siglos, en Espírito Santo, una copia, pastiche o reproducción acrítica de modelos extranjeros o siquiera ha existido? Averigüemos, pues.

2. La literatura del siglo XVI: la presencia de viajeros y jesuitas
La literatura sobre Brasil se inicia con la carta de Pero Vaz de Caminha, escrita en Por- to Seguro (BA), el 1o de mayo de 1500. Ésta tiene un valor histórico documental como registro de la memoria del nacimiento de un país, y algún valor literario, una vez que un tipo humanista del renacimiento portugués nos presenta una visión del mundo, producto directo y más exacto de una cultura aún incompleta, pero abierta a posibles encuentros.
La Carta de Caminha es el modelo primero y el más preciso de los conceptos que se harían constantes en otras narrativas testimoniales que vendrían a continuación, en aquel siglo y en los siguientes, y que engendrarían una mitología cultural de Brasil y del brasileño: “pa- raíso terreal”, “mundo novo”, “bom selvagem”.

Una marca constante en la literatura sobre Brasil, iniciada con la Carta de Caminha, es la visión idílica del paraíso reflejada en la descripción de la maravillosa fertilidad del suelo, en la docilidad de sus habitantes, a quienes se debería catequizar para dominar. La codicia por las ri- quezas, sobre todo por el oro, se enmascaraba bajo lo de “levar a fé cristã aos gentios”.
En los treinta primeros años de la conquista, Brasil quedó relegado a un plano secundario por los portugueses. Sus prioridades fueron los viajes a Asia y a la Costa de África. En Brasil sólo les interesaba el “pau-brasil”, la primera riqueza devastada, y los papagayos, por el exotismo y la belleza. Sólo en 1532 comienza, de hecho, la posesión portuguesa en Brasil, con la coloniza- ción. El 23 de mayo de 1535, Vasco Fernandes Coutinho arriba a un puerto con su caravela “Gló- ria”, trayendo a 60 personas, en la región donde establecería la villa de Espírito Santo, que se convertiría en la parroquia más antigua de Brasil al sur de Bahia (Freire 1945: 8). En 1540, la Capitania do Espírito Santo prosperaba con el cultivo y los beneficios del azúcar en los conocidos ingenios de azúcar, no contentándose con la mera explotación del “pau-brasil”. Con el aparición de las primeras riquezas, la corte empezó a nombrar a sus funcionarios: en 1546, vinieron Belchior Correia, como escribano de la Cámara, y Rui Fernando, como proveedor y contador de las rentas y derechos de la Capitania. Diez años después de la llegada de Coutinho, en 1545, se instituyó la parroquia de Espírito Santo, con la llegada de un capellán. En 1550, dos esclavos (indios) fueron remetidos al Reino como parte del sueldo del vicario de la Capitania de Espírito Santo (14).

La villa de Nossa Senhora de Vitória se fundó en la isla anteriormente llamada Duarte de Lemos, en la cima de una colina, en la que los jesuitas que vinieron con Tomé de Souza establecieron residencia. Eran dos los principales enemigos: los indios venidos por tierra, desde el interior de la isla, y los invasores, por mar. Tomé de Souza pudo constatar que Espírito Santo, por su localización privilegiada -tierras, aguas y clima-, era la mejor capitanía; sin embargo, era, también, la más arruinada.
Leonardo Nunes fue el primer jesuita en adoctrinar a los indios esclavos, en 1549, seguido de los curas Pero de Souto, Afonso Brás y Simão Gonçalves. Éste pregonaba que la tierra de Espírito Santo era “a melhor e a mais fértil de todo o Brasil” (20).
Los jesuitas, cuyo líder era el Padre Manoel da Nóbrega, fueron los iniciadores de la literatura brasileña, aunque predominara en ella un interés catequético, religioso o informativo. Como superior de los jesuitas, Nóbrega visitó Espírito Santo, dejando sus impresiones:

“E partiu, visitando algumas capitanias de Vasco Fernandes Coutinho, onde achou uma pouca de gente em grande perigo de serem comidos dos índios e tomados dos Franceses (…). Esta capitania se tem por a melhor cousa do Brasil depois do Rio de Janeiro: nela temos uma casa, onde se faz fruito com Cristãos e com escravos, e com uma geração de índios, que ali está que se chamam do Gato, que aí mandou vir Vasco Fernandes do Rio de Janeiro; entendeu-se também com alguns Tu- piniquins, e se Nosso Senhor der tão boa mão ao Governador à tornada como lhe deu em todas as outras partes, que as ponha a todos em sujeição e obediência, poder-se-á fazer muito fruito, por- que este é o melhor meio que pode haver para a sua conversão” (Nóbrega 1988: 223).
Sin embargo, fue el Padre José de Anchieta (1534-1597), que vino en 1553 con el segundo gobernador general, Duarte da Costa, quien con sus producciones en portugués, español y tupí-guaraní inauguró la literatura brasileña en Espírito Santo. En esta capitanía, en la que vivió los últimos años de vida, estrenaron ocho de las doce obras de teatro que escribió: los autos con fines catequísticos. Teniendo como escenario la Vila de Vitória, compuso los siguientes poemas: “De São Maurício” (antiguo patrono de la ciudad), “Ao Padre Costa” (superior de la casa de Espírito Santo), “Quando, no Espírito Santo se recebeu uma relíquia das onze mil virgens” (en la que así se refiere a la actual capital del Estado: “Da Senhora da Vitória, / Vitória sou nomeada. / E, pois sou de vós amada, / d’onze mil virgens na glória / espero ser coroada.”) (Anchieta 1989: 417), “Ao P. Bartolomeu Simões Pereira”, entre otras.

Una de las más largas obras teatrales de Anchieta, escrita en tupí, de 1589 a 1594, es “Na aldeia de Guaraparim”. En ella ofrece datos etnográficos, sociales y antropológicos, como la conducta de los matrimonios, la adopción de muchos nombres a la moda indígena, además de dar indicaciones geográficas de aldeas desconocidas en la documentación de la época. Curioso como relata a los niños indígenas, que atracan a los incautos jesuitas:
“De Reritiba, minha terra, eu venho./ A todos os meus amiguinos / eu disse que vinha celebrar / este grande dia santo. / Trouxe estas ostras / com elas te podes banquetear. / No caminho, os meninos / me assaltaram, / para comê-las todos de mim. / Em todo o caso, tirei estas / dos malvados e corri. Tomara que hoje não haja brigas comigo” (648).
Reritiba – actual Anchieta -, Guarapari y Vitória fueron antiguas referencias para las obras compuestas por Anchieta, así como para sus poemas escritos a la Virgen. Basado, además, en la tradicción medieval, con ejecución de versos en redondillas populares y autos de intención catequística, Anchieta fue el introductor de la tradición literaria ibérica en tierras brasileñas y capixabas. Su obra posee valor literario, aunque marcada por la intención moralizante, y constituye nuestras raíces literarias. Se puede considerar a Anchieta el primer poeta capixaba, como lo hizo Elmo Elton (1982: 11) en su antología.

La literatura informativa sobre Brasil siempre alude a Espírito Santo, a la excelencia de sus tierras y a la fertilidad de sus producciones. Pero de Magalhães, en su Tratado da terra do Brasil, de 1570, en el cap. VII, describe la Capitania do Espírito Santo, el mejor azúcar de Brasil producido en su única hacienda de beneficios y la abundancia de ríos, peces y provisiones. En História da Província Santa Cruz, de 1576, afirma: “E assim é esta a mais fértil Capitania, e melhor provida de todos os mantimentos da terra que entre algumas que haja na costa” (Gandaro 1980: 38, 91).

Fernão Cardim, en su “Narrativa epistolar de uma viagem em missão jesuítica da Bahia a São Vicente”, de 1583 a 1590, cuando iba a visitar al Pe. Cristóvão da Gouveia, hace uno de los más completos y pintorescos retratos de Brasil.
Gabriel Soares de Souza publica, en 1587, su “Tratado descritivo do Brasil”, quizás la obra más admirable del siglo XVI, en la opinión de Varnhagen. Producto del propio examen, observación y pensar, con un carácter enciclopédico, en ella se encuentran preciosos da- tos para la comprensión del inicio de la formación de la tierra y del pueblo brasileño.
Literatura informativa o documental, catequística o religiosa, en prosa o en verso, carta, diálogo o auto, la literatura del siglo XVI cimienta la base de la literatura brasileña verdaderamente iniciada con el Barroco, en el siglo XVII. Sobre todo la literatura jesuítica refleja las contradicciones de su cultura terminal, aún en la Edad Media, hostil al negro y falto de respetar las tendencias naturales del indio brasileño, obstinada en sujetar a hombres de cultura paleolítica a una enseñanza altamente académica.
Sin embargo, los textos que nos legaron los escritores jesuitas del siglo XVI y los viajeros que escribieron sobre la tierra recién descubierta reflejan la colonización portuguesa, capaz de defenderse contra poderosas economías europeas de la época. Preocupados por objetar contra el tipo de sociedad que se engendraba en los trópicos, calcados en la superioridad blanca y “esclavocrata”, los jesuitas fallaron en sus propósitos de formar un estado religioso, pero dejaron toda una historia para ser leída y contada.

Espírito Santo, por su privilegiada ubicación geográfica en el mapa brasileño, exuberancia tropical, clima templado, abundancia de ríos y peces, tierras fértiles, fue el escenario ideal de las luchas por la conquista de la tierra, de sus habitantes nativos y de sus riquezas. En el siglo siguiente, con el descubrimiento del oro en las Minas Gerais, se acentúa el decaimien- to de Espírito Santo, ya iniciado con el fracaso de Vasco Coutinho y sus descendientes.
Los principales textos de la literatura brasileña del siglo XVI, escritos en/sobre Brasil, se refirieron a Espírito Santo. A pesar del pronóstico de Gandavo de que Espírito Santo sería una de las principales provincias de Brasil, tal hecho no se ha confirmado. Durante 400 años, nuestro Estado vivió al margen de los centros y su literatura, pobre e insignificante, sólo refleja esa marginación periférica.

3. El Barroco y el Arcadismo que no hubo: los siglos XVII y XVIII
El paso del siglo tuvo, en Espírito Santo, la primera mujer Gobernadora de Provincia en Brasil, D. Luiza Grimaldi (o Grinalda), esposa deVasco Fernandes Coutinho Filho, la cual afrontó una tentativa de invasión de los ingleses, en 1592, y apoyó la llegada de los frailes franciscanos. Legó el gobierno a Francisco de Aguiar Coutinho, último representante de la familia, para que administrara personalmente Espírito Santo.
La Capitanía de Espírito Santo entra en total decadencia, habiendo sufrido ataque de franceses y holandeses, en 1625 y 1640. La principal labor de ese siglo fue la de los jesuitas y franciscanos con las catequesis y las aventuras de los “bandeirantes”, exploradores de las regiones interiores de Brasil, en sus constantes expediciones a los “sertões”, zonas muy apartadas de la costa, en búsqueda de indígenas para esclavizar, del codiciado oro y de piedras preciosas.

El gobierno general de Brasil tenía su domicilio social en Bahia, en Salvador. A inicios del siglo XVII, el gobernador general, D. Francisco de Souza, estuvo en Espírito Santo, empeñado en fomentar nuevas expediciones o jornadas hacia el interior del territorio. Él mismo condujo una expedición a la cumbre del monte Mestre Álvaro, macizo en el que, según el fraile Vicente do Salvador, había vestigios de plata y donde se encontraron algunas esmeraldas. En el siglo XX, el escritor Adelpho Poli Monjardim novelaría dichas aventuras.
Preocupado por la fama de las riquezas que se iban descubriendo en Brasil, el gobernador general mandó erigir fortines en toda la costa, incluso uno en Vitória. Con el dominio español sobre los portugueses, recrudeció, en la colonia, la hostilidad a los extranjeros. Vitória se convirtió en una fortaleza y sus habitantes en reñidos defensores de la colonización portuguesa.
Se convirtió en leyenda capixaba la historia de Maria Ortiz que, en conjunto con otras mujeres, defendió la Vila de Vitória de un ataque holandés, el 14 de mayo de 1625, vertiendo cazuelas de agua hirviendo sobre los invasores. Dicha leyenda se recreó, parodísticamente, por la obra A panelinha de breu, de Maria Bernardette C. de Lyra, en novela publicada por la editorial Estação Liberdade, en 1992.
La lucha contra los invasores y el sueño con las riquezas, ocultada por el ideal de la fe y de la creencia religiosa, parecen haber sido el principal quehacer de los primeros brasileños. Ningún registro cultural ha quedado de esos primeros siglos en Espírito Santo.

Afonso Cláudio (1981: 32-3), en la Introducción a su História da Literatura Espírito-Santense, de este mismo modo afirmó:
“Não admira, pois, que as capitanias localizadas por esse modo, nenhum processo assinalável mostraram na esfera intelectual e literária, convindo aditar que em algumas delas, o incipiente desenvolvimento espiritual data do começo do século passado: Tal é o caso do Espírito Santo”.
En nota de pie de página, el mismo autor registra, no obstante, que incluso la metrópo- lis (Lisboa) no tenía representantes, en la época, en lo relativo a la ciencia, la filosofía, el teatro, la novela y las artes en general: “Imaginese a situação da colônia portuguesa na América entregue às mãos grosseiras e ignóbeis dos donatários e capitães-mores!”.
Sin embargo, eso no era absoluta verdad. En Salvador, primera capital de Brasil, los jesuitas desarrollaron una vida cultural en la que se distinguieron, en la historiografía, Frei Vicente do Salvador; en la prosa literaria, Gabriel Soares de Souza, Antônio Fernandes Brandão y Pe. Antônio Vieira; y en la poesía, Bento Teixeira Pinto y Gregório de Matos Guerra. Incipiente, en verdad, pero no muy diferente de Lisboa, era la vida cultural en la Salvador del siglo XVII.
Con el establecimiento del gobierno general de Brasil en Bahia, en 1549, Salvador se volvió el centro político, económico y cultural del Brasil colonial. Las primeras manifestacio- nes literarias, después de la literatura informativa catequística de los jesuitas del siglo XVI, constituyeron la estética del Barroco, que va desde 1601, con la publicación del poema épico Prosopopéia, de Bento Teixeira Pinto, hasta 1768, con reflejos directos de las manifestaciones literarias ibéricas.

El movimiento barroco, en Brasil, se reflejó en la poesía – épica, lírica, sátira, encomiástica – a través de las obras de Bento Teixeira, Manoel Botelho de Oliveira, Gregório de Matos Guerra, Frei Manoel de Santa Maria Itaparica, con incipientes manifestaciones de teatro en verso, de tema religioso y profano, bajo la influencia mayor de Lope de Vega.
La prosa barroca se reparte entre la crónica, la información, la narrativa y la oratoria. Ambrósio Fernandes Brandão, Frei Vicente de Salvador, Pe. Simão de Vasconcelos y Pe. Antônio Vieira fueron sus principales cultivadores.
A inicios del siglo XVIII, surgieron, en Brasil, las agremiaciones literarias o Academias, en su origen preocupadas por el cultivo de la prosa y de la poesía barrocas.
Ningún registro literario ha quedado, en Espírito Santo, de la literatura jesuítica barroca. Sin donatario, sin capitán mayor, ora subordinada a Bahia, ora a Rio de Janeiro, la capitanía de Espírito Santo se transformó en una “tierra de nadie”, entregada a los jesuitas, más preocupados de sus haciendas y “misiones” de domesticación de indígenas y acumulación de una riqueza material terrenal que de la formación cultural de la población ruda de la tierra capixaba.
Completamente empobrecida, la Capitania do Espírito Santo fue comprada, en 1674, por el Cel. Francisco Gil de Araújo, un rico baiano, descendiente de Caramuru, por 40.000 cruzados. Su mayor objetivo era la búsqueda de oro y esmeraldas.

A finales del siglo XVII, en 1693, irrumpieron, desde los sitios más apartados de la costa, el llamado “sertão”, por el Rio Doce, las primeras noticias sobre el oro. Esa apoteosis del oro habría de ser profundamente desventajosa para Espírito Santo y ocasionar el surgimiento y la riqueza de Minas Gerais. Espírito Santo se transformó en el principal refugio de numerosos indios, en sus densas florestas, impedidas de ser desbrozadas por decreto real. Se edificaron y reformaron muchos fuertes en la Vila de Vitória.

A inicios del siglo XVIII, Espírito Santo disminuyó de extensión con la creación de la Capitania de São Paulo y el distrito de las Minas de Oro, en 1709. Sin donatario, se incorporó al patrimonio real, en 1711. En este siglo, jesuitas y franciscanos fueron los verdaderos dueños de Espírito Santo y de sus escasas villas costeñas, ejerciendo con afán sus deberes, incluso los de la “Santa Inquisición”. En 1720, por ejemplo, la Inquisición hizo partir a Portugal a Brás Gomes, rico mercader en Vitória, acusado de herejía por conservar un crucifijo en una caja. Un pequeño libro encuadernado en rústica titulada “Um fato da Inquisição no Brasil e heroísmo de um capixaba” narra todo su infortunio (Freire 1945: 97-8). En 1985, el Prof. Luiz Guilherme Santos Neves gana el 3º lugar en el Prêmio Rio de Literatura, con la obra As chamas na missa, publicada en 1986 por la Philobiblion, que plasma en ficción los hechos acaecidos en la Vila do Santíssimo Sacramento, en el inicio del siglo XVIII. Se revisita la inquisición 250 años después, por la literatura, para rescatar la historia de Vitória de aquellos tiempos.

4. El surgimiento de una literatura en Espírito Santo: 1770 a 1870
Afonso Cláudio (1981: 32-3) nombra “período de agregação” (1770-1870) y “período de expansão consciente” (1871-1907) a los dos momentos literarios de la historia de la literatura capixaba o de Espírito Santo. El primero, caracterizado por el “aparecimento dos poemas que vêm atestar o propósito de corporificar as idéias clássicas, aproveitando-as na reprodução dos painéis de natureza física, acompanhado de outras manifestações que reprimem os afetos e sentimentos ora íntimos, ora gerais do comum do povo, suas aspirações, crenças religiosas, mitos e superstições” y el segundo, “em que as idéias parecem ter encontrado o surto natural que lhes permite adejar em todos ou quase todos os quadrantes do pensamento, é caracterizado por uma tal ou qual autonomia no modo de exprimir impressões e formular conceitos”.
En ese primer momento, “preso às idéias clássicas”, Afonso Cláudio constata una fuerte influencia de la escuela baiana en el “classicismo poético”, siendo el cura baiano Domingos de Caldas el estimulador del cultivo de las letras en tierras capixabas. Lo describe como “Espírito afeito ao culto da antigüidade (…) ungindo-as em seus escritos com o misticismo de sua religião” (41-52). Según el mismo historiador, la primera composición poética sobre tema local fue escrita en 1770, el “Poema mariano” del Pe. Domingos (de) Caldas, una narrativa en verso rimado de los milagros de Senhora da Penha, no publicada sino en 1854.

La verdad, Domingos de Caldas Barbosa (1740-1800) es, tan sólo, el continuador de una tradicción jesuítica iniciada por Anchieta, doscientos años antes, de escribir poemas religiosos con temas locales. Lo que lo diferencia de sus antecesores es la influencia camoniana, neoclásica, más próxima al movimiento árcade que al medievalismo anchietano. Tuvo como nombre árcade “Lereno” y se volvió uno de los más populares de los poetas árcades con la obra A viola de Lereno (2v.), publicada en 1826, con arias populares prerrománticas. Su paso, de fecha imprecisa, en Espírito Santo, influyó a la generación futura del Pe. Marcelino Pinto Ribeiro Duarte con su lirismo xenófobo, Pe. João Clímaco, José Gonçalves Fraga y Fraga Loureiro.
La ausencia de cualquier movimiento cultural o literario en Espírito Santo llevaba a que los hijos de la tierra fueran a estudiar a Bahia. Eso aconteció, por ejemplo, con Gonçalo Soares de França, nacido en 1632, quien llegó a ser uno de los principales poetas barrocos, perteneciente a la Academia Brasílica dos Esquecidos (1724-5), donde leyó su poema épico “Brasília”, que quedó inédito. Algunas enciclopedias lo consideran baiano, a pesar de capixaba (1).
El subjetivismo, el arcadismo bucólico y el prerromanticismo de Caldas Barbosa se pueden ver en los siguientes versos del “Poema mariano”:
Exaltei a beleza das serranas;
Porém, hoje depondo os seus louvores,
Já não quero cantar glórias mundanas,

Que são sombras de luz, do ar assento, Formosuras de flor, torres de vento.
El primer seguidor de “Lereno” fue el Pe. Marcelino Pinto Ribeiro Duarte (1788- 1860), el más notable poeta espírito-santense de la primera mitad del siglo XIX, según Afonso Cláudio (53). Sus versos, líricos, sentimentales, románticos, se publicaron en 1856, en la antología titulada Jardim poético. También escribió el poema épico “Derrota de uma viagem ao Rio de Janeiro em 1817”, en el que narra sus desavenencias con el gobernador Francisco Alberto Rubim, lo que motivó su exilio en Rio, donde vivió desde 1817 a 1830. Involucrado en el movimiento político contra la Regência, fue arrestado, no dejando, sin embargo, de escribir sátiras y comedias en verso contra el gobierno. Elegido diputado, en 1838, por el pueblo espírito-santense, volvió a Vitória, donde permaneció hasta 1844. De 1844 a 1850, vivió en Niterói, donde dejó numerosa descendencia. En 1850, vuelve a Vitória, pero abandona la política y fallece en Niterói, en 1860, agraciado por las autoridades y el emperador.
El cura Marcelino Pinto Ribeiro Duarte fue, sin lugar a dudas, la principal estrella del escenario político y literario capixaba en la primera mitad del siglo XIX; en su vida y obra se registran el amor por su tierra, la pasión del artista por el arte y del ser humano por la vida.
José Gonçalves Fraga (1793-1855), autor de dramas en verso y de un poema satírico denominado Bandocada, traductor de la Eneida, de Virgilio, fue un poeta romántico menor. Sus seguidores fueron J. Pereira dos Santos, Luiz Barbosa dos Santos e Ignácio Vieira Machado, entre otros.
El cura Dr. João Clímaco de Alvarenga Rangel (1799-1866), como el Pe. Marcelino Duarte, también fue cura, poeta, orador y político. Clasicista como los otros intelectuales de su tiempo, hizo poesía romántica subjetivista.
El Pe. João Luiz da Fraga Loureiro (1805-1878) fue poeta popular, famoso en fiestas populares en loor a São Benedito, en el municipio de Serra.
La tradición colonial de presentar, las familias más ricas, por lo menos a un hijo para hacerse cura, llevaba a que la mayoría de los escritores de la época fueran curas y políticos; en la verdad, eran los únicos que recibían instrucción, generalmente clásica y nacionalista. Se formaba, en Brasil, en el siglo XIX, el Romanticismo y se formaba la nacionalidad brasileña.

Fue en el Romanticismo, igualmente, que se formaron los primeros escritores capixabas, además de los ya nombrados, Antônio Cláudio Soído (1822-1889) y Luiz da Silva Alves de Azambuja Susano (1785-1873). Éste publicó la primera novela capixaba, O capitão Silves- tre e Frei Velloso (1847) y A baixa de Mathias, ordenança do Conde de Arcos (1859), reeditado por la editorial de la FCAA-UFES, en 1988, de entre varias otras obras de cuño didácti- co y traducciones. El primero, oficial de la Marina imperial, compuso versos laudatorios al Emperador Pedro II y fue, sobre todo, un lírico xenófobo.

En esta época, también surgieron en Espírito Santo los primeros trabajos de Historia y Estadística, además de la continuidad de la dramaturgia capixaba. Francisco A. Rubim pu- blica, en 1817, Memória estatística da Capitania do Espírito Santo. Su hijo, Braz da Costa Rubim (1812-1871) publicó: Dicionário topográfico da província do Espírito Santo, Notícia cronológica dos fatos mais notáveis da província do Espírito Santo, Memórias históricas e documentadas da província do E. Santo y Cartografia da província do Espírito Santo. Joaquim José G. da Silva Neto (1818-1903) escribió una Crônica da Companhia de Jesus, 1880; As maravilhas da Penha o Lendas e história da santa e do virtuoso Frei Pedro de Palácios, 1888. José Marcelino P. de Vasconcelos (1821-1874) fue jesuita y publicó Jardim Poético (2 vol.), 1856-8; Ensaio de História e Estatística do Espírito Santo, Selecta Brasiliense (1868-70) y Catecismo político, 1859. José Joaquim Pessanha Póvoa (1836-1904) tuvo publicadas varias obras, entre leyendas y cuentos, Jesuítas e reis, panfleto político, Tiradentes ou a voz dos mor- tos y biografías: Os heróis da guerra, Os heróis da arte, Colombo e Joana d’Arc, etc. Fue un polemista político. Bazílio C. Daemon (1834-1893) publicó Arcanos, novela histórica, 1877; História e estatística da província do Espírito Santo, 1879, y Reminiscência, 1888.
Si hasta los siglos anteriores, los modelos copiados por los escritores de Espírito San- to estaban en Lisboa, Madrid o Salvador, Río de Janeiro, como capital del reinado y del imperio, se convirtió, en el siglo XIX, en el espejo para la literatura capixaba. Oscar Gama Filho (1987: 27) así afirma: “… o romantismo espírito-santense havia sido o reflexo do reflexo carioca do movimento europeu”. De acuerdo con el mismo autor, aunque un poco tardíamente, una vez que Espírito Santo logró desarrollar una infraestructura económica sólida en la segun- da mitad del siglo XIX, con la caficultura, el teatro romántico capixaba, en forma de dramas burgueses o comedias, tuvo su inicio con la representación, en 1877, de A caridade, de Aris- tides Freire (1849-1922). Éste escribió varios folletines de crítica social, como los de Martins Pena. En 1896, se inaugura el Teatro Melpômene, con 1.200 asientos, incendiado en 1924. Hasta hoy, Espírito Santo no posee un teatro con tal capacidad. En él y en el Teatro Carlos Go- mes, construido con restos del Melpômene e inaugurado en 1927, se consagraron piezas de Aristides Freire, Amâncio Pereira y Ernesto Guimarães, los principales dramaturgos capixa- bas, de acuerdo con Oscar Gama Filho, y otros menores como Cândido Costa, Afonso Magalhães y Ubaldo Rodrigues.

5. Finales del siglo XIX y primera mitad del siglo XX: la permanencia de la tradición: románticos, simbolistas, parnasianos y regionalistas
Así como la primera mitad del siglo tuvo, en la figura del cura Marcelino Duarte, su símbolo, el final del siglo generó la figura de José de Mello Carvalho Moniz Freire (1861- 1918), un positivista, republicano, periodista, combatiente y estudioso del derecho, de la política, de las cuestiones económicas y las sociales. No fue un literato, sino y sobre todo un estimulador del progreso intelectual y material: el creador del espíritu de modernización de Espírito Santo.
Durante los últimos años del siglo XIX, la literatura capixaba oscila entre las prime- ras tentativas parnasianas, Manoel J. Rodrigues con Fugitivas, 1883 y Manhãs de estio, 1886, pero con una fuerte influencia de religiosidad y subjetivismo románticos, como las de Virgilio Vidigal (1886-1907). Ulisses Sarmento (1875-1923) fue, probablemente, el primer poeta capixaba visiblemente influenciado por Olavo Bilac, Raimundo Correia y Alberto de Oliveira, a partir de la publicación de Clâmides, 1894; Torturas do ideal, 1900; Contemplações, 1902 y A voz da natureza, 1923. Seguidor de las corrientes realistas/naturalistas del fin del siglo pasado fue Colatino Barroso (1873-1931), con sus cuentos publicados en Anátemas, 1895; Jerusa, poema en prosa, 1892; A lenda dos guisos divinos, 1917.

Graciano dos Santos Neves (1868-1922), médico y político, fue el iniciador de la tradición capixaba de usar la ironía como recurso literario con su A doutrina do engrossamento, tratado de adulación, publicado en 1901 y reeditado por la editorial Artenova, RJ, en 1978. El mayor representante capixaba de la corriente irónica fue Mendes Fradique, seudónimo del médico José Madeira de Freitas (1893-1944), cuya obra, iniciada con Hypocratéa, 1926, va has- ta Pantomimas, 1930, y se volvió tema de tesina de maestría, en Rio de Janeiro (Lustosa 1993: 261). Mendes Fradique consagró el “método confuso” con su Gramática portuguesa pelo mé- todo confuso, 1928 e Historia do Brasil pelo método confuso, 1927. Madeira de Freitas llega a Rio de Janeiro, en 1910, uno de los años de oro del cine brasileño. Igualmente proliferaban los automóviles, los teléfonos, los fonógrafos y gramófonos. Empezaba la era de la modernización y la literatura no quedó al margen de este proceso. Eso en Rio de Janeiro, capital de la República, adonde iban los jóvenes capixabas de familia rica, con el fin de estudiar.
En Espírito Santo, dos sucesos marcaron los primeros años del siglo: la fundación de la Academia Espírito-santense de Letras, en 1921, y el quincenario Vida Capichaba (1923- 1955). La AESL, fundada en 1921 por ideales del abogado Alarico de Freitas y del periodista Sezefredo Garcia de Resende, pronto recibió la adhesión del profesor Elpídio Pimentel, del obispo Don Benedito Paulo A. de Souza y del periodista Thiers Velloso, su primer directorio. Inicialmente creada con veinte sillones, sólo ocupados integralmente en 1923, ampliados pa- ra treinta, en 1937, y en 1939, para cuarenta, sólo fueron completados en 1941, cuando se conmemoraron los 20 años de la AESL.

La vida literaria, en la primera mitad del siglo XX, giraba en torno a los cursos y conferencias auspiciados por los intelectuales o agremiaciones existentes: AESL, IHGES (fundado en 1916), Academia Espírito-santense dos Novos (1934), Grêmio Literário Rui Barbosa (1932-1938), la Sociedade Espírito-santense de Letras, Arcádia Espírito-santense (1943). Espírito Santo descubre las Academias 200 años después de los baianos, cariocas y mineiros. Escritores emprendedores de esa época fueron: Augusto E. E. Lins, Abílio de Carvalho, Antônio Pinheiro, Alvimar Silva, Mauro de A. Braga, Mário de S. Nunes, Carlos T. de Campos, Nicanor Paiva y Lúcia Castellani, además del poeta e historiador Almeida Cousin.

El quincenario Vida Capichaba, 1923-1955, inicialmente bajo la responsabilidad de Manoel de Teixeira Leite, según J. A. Carvalho (1982: 66-7) “ajudou a moldar o talento dos escritores, incentivados pela visão de seus trabalhos en letra de forma, e pela discussão, nas rodas de amigos, das idéias expressas num artigo ou noutro” Ante las dificultades de publicación señaladas por Afonso Cláudio en la obra anteriormente aludida, los escritores capixabas, generalmente, sólo consiguieron publicar sus trabajos en periódicos. A Vida Capichaba fue el principal de ellos.
Mesquita Neto, seudónimo de Otávio José de Mendonça (1901-1975), director del periódico A Gazeta, poeta, cronista (articulista), cuentista y novelista, fue uno de los principales estimuladores de las producciones literarias locales, abriendo las páginas de ediciones domingueras con los trabajos de los escritores capixabas.
En esta época surgen las primeras mujeres capixabas en publicar libros: Maria Antonieta Tatagiba (1895-1928) con Frauta Agreste, 1927 y Haydée Nicolussi (1905-1970), cuentista premiada, periodista militante y traductora, en 1943, publica Festa na sombra, poemas. Marly de Oliveira (1935), actual mujer de João Cabral de Mello Neto, inicia su producción poética con Cerco da primavera, en 1957, seguida de Explicação de Narciso, 1960; A suave pantera, 1962; A vida natural/O sangue no veio, 1967; Contato, 1975; Invocação de Orfeu, 1978; Aliança, 1978; A força da paixão, A incerteza das coisas, 1984. Elpídio Pimentel (1894-1971) fue crítico literario: Noções de Literatura, 1918, y autor de la página del redactor de Vida Capichaba, además de escritor de obras didácticas Pos- tilas pedagógicas, 1923; Quando o Penedo falava, 1927.

En Cachoeiro do Itapemirim surgen grandes escritores capixabas: Benjamim Silva (1886-1954) con un único libro, Escada da vida, 1938, poemas; Newton Braga (1911-1962), periodista y poeta, publicó Lirismo Perdido, 1945; Cidade do interior, 1959 y Poesia e prosa, 1962, reeditado en 1993. Rubem Braga (1913-1990) es el más famoso escritor capixaba, con sus crónicas publicadas en varios libros, desde el primero, O conde e o passarinho, 1936, hasta Crônicas do Espírito Santo, 1984, reeditadas por el periódico A Gazeta, en el programa “Nosso Livro”, en 1994. Evandro Moreira (1939), fundador de la Academia Cachoeirense de Letras, en 1954, es autor de varias obras en verso y prosa. Ormando Moraes (1915) es cuentista, cronista e historiador.
Pese a que el modernismo haya sido implantado en Brasil en 1922, con la Semana de Arte Moderna en São Paulo, tardó en llegar a Espírito Santo. Lo que predominaba aquí eran los neoparnasianos y los neosimbolistas. Narciso Araújo (1877-1944) es elegido “Príncipe dos Poetas capixabas”, en 1941, con el libro Poesias, 1942 y, en segundo lugar, Ciro Vieira da Cunha (1897-1971), con Alguma poesia, 1942. En el segundo concurso, realizado en 1947, cu- po a Geraldo Costa Alves (1924-1973), el primer premio, y a Elmo Elton (1925- 1990), el segundo. Por primera vez fueron escogidas las mejores poetisas de Espírito Santo, siendo galardonadas Virgínia G. Tamanini (1897-1990), Maria José Albuquerque de Oliveira y Arlete Cy- preste de Cypreste (1920). Virgínia Tamanini publicó A voz do coração, poemas, 1942; O mesmo amor nos nossos corações, 1949. En 1964, publica Karina, novela de gran éxito ante el público capixaba, y Estradas do homem, novela, 1977.

Neorrománticos, neosimbolistas o neoparnasianos fueron los poetas capixabas hasta mediados de 1950. Audifax Amorim (1982) fue el primero de ellos en usar ideogramas, producir poemas concretos, haikus y versos libres. Su obra ha sido estudiada por el profesor José Augusto Carvalho y publicada por la FCAA-UFES.
Los escritores capixabas sólo lograron algún puesto relevante en el país, cuando salieron de Espírito Santo. Eso ocurrió con Gonçalo S. da França, en el siglo XVII; Pe. Marcelino Duarte y otros tantos en el siglo XIX; y, sobre todo, en el siglo XX, con la difusión de la “midia” impresa y de imagen, Rubem y Newton Braga, Almeida Cousin, Geir Campos y Marly de Oliveira. José Coelho de Almeida Cousin (1897-1992), Geir Nuffer Campos (1924) y Clóves Ramalhete (1915) Son autores de varias obras en prosa y verso, cuando vivieron y publicaron en Rio de Janeiro.

Eugênio Lindenberg Sette (1918-1990), Renato José Pacheco (1928), Cristiano Ferreira Fraga (1892-1928), Guilherme Santos Neves (1906-1989), Adelpho Poli Monjardim (1903) son escritores de una misma generación que escriben crónicas, Praça Oito, 1953; poemas: Poemas traduzidos, 1952 y Sinfonias das ruas de Vitória, 1944; novelas: A oferta e o altar, 1964, Reino não conquistado, 1980, y Fuga de Canaã, 1981; memorias: Lembranças, 1978, estudios del folklore: Nau Catarineta, 1949; Cancioneiro capixaba de trovas populares, 1949; História popular do Convento da Penha, 1958; Folclore brasileiro – Espírito Santo, 1978 y el último de ellos, el más prolífico escritor capixaba, con decenas de cuentos, ensayos y novelas. Dos novelistas se pueden reunir en esa misma generación de transición a la modernidad: Neida Lúcia Cunha Moraes (1929) y Margarida Serra Pimentel (1936). Ambas publicaron algunas novelas, poniendo énfasis en la prosa neorrealista y regionalista.

6. Los años 70 y la modernidad
Si Audifax Amorim se puede considerar el introductor de la poesía postmoderna en Espírito Santo, por la propia descontrucción del signo verbal, a partir de los años setenta, la prosa con esas características surge, tan sólo, en 1972, con la publicación de Blissful Agony, de Amylton de Almeida (1946), reeditado por la FCAA, en 1988. El mismo autor escribió, además, las novelas A passagem do século, 1977 y Autobiografia de Herminia Maria, publicada en 1994, además de varias obras de teatro.
En la misma generación del 70, introductora de la ‘consciência de abismo do mundo moderno’, de la disolución de las costumbres, de la angustia existencial y de la conciencia de la escritura, surgieron los principales escritores de la literatura de Espírito Santo: Maria Bernardette de Lyra (1938), autora de As contas no canto, cuentos, 1981; O jardim das delícias, cuento, 1982; Corações de cristal ou A vida secreta das enceradeiras, 1984; Aqui começa a dança, relato corto, 1985 y A panelinha de breu, novela, 1992. Reinaldo Santos Neves (1946) es el principal novelista de esa generación, habiendo escrito Reino dos medas, 1971; A crônica de malemort, 1978; As mãos no fogo: o romance graciano, 1983 y Sueli, 1988. Su hermano, Luiz Guilherme Santos Neves (1933) escribió Queimados, teatro, 1977; A nau decapita- da, 1982; As chamas na missa, 1985 y A torre do delírio, 1992. De la misma generación fue Luiz Fernando Valporto Tatagiba (1946-1992), autor de O sol no céu da boca, cuentos, 1980; Invenção da saudade, crónicas, 1982 y Rua, crónicas, 1986.
La creación de la editorial de la Fundação Ceciliano Abel de Almeida, UFES, en 1978, fue un hito para la literatura de Espírito Santo. En sus diecisiete años de existencia, la Editora de FCAA ha publicado más de trescientos títulos, revelando a jóvenes autores y consagrando a otros. Al lado de la industrialización y el crecimiento de la Grande Vitória, en los años 70 y 80, hubo un aumento de la población, inclusive la escolarizada, lo que propició la formación de un público lector, la democratización del país, el crecimiento y desarrollo de los estudios literarios en las facultades de Letras y los talleres literarios – verdaderas fábricas de escritores – todo fue motivo para un gran desarrollo de la literatura en Espírito Santo que, por primera vez, se desprendió de los grandes centros (Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador), para profesionalizarse. En los años 80, Espírito Santo solucionó el problema de publicación y divulgación del escritor local: resta, aún, solucionar el problema de divulgación y distribución en otros centros.
De entre los jóvenes escritores, casi todos cuentistas, recibidos en la sociedad en los años 80, por la FCAA, destacan: Adilson Vilaça, Marcos Tavares, Sebastião Lyrio y Francisco Grijó. Los más significativos poetas fueron: Roberto Almada, Oscar Gama Filho, Deny Gomes y Miguel Marvilla, en una orientación tradicionalista; Valdo Motta, Sérgio Blank y Pau- lo Roberto Sodré, más insertos en una estética de contemporaneidad. Otros autores como Lacy Ribeiro, Marien Calixte, José Irmo Gonring y Luiz Carlos Almeida Lima, en poesía, ganan concursos literarios y tienen publicadas sus obras en otra editorial que no es la FCAA.

A partir de 1992, con la creación de la Secretaria de Produção e Difusão Cultural da UFES y la aprobación de proyectos a través de la Lei Rubem Braga, de la Prefeitura Municipal de Vitória, nuevas fuentes de recursos impulsaron la publicación de libros en Espírito Santo. Veintidós títulos fueron publicados, en dos años, por la SPDC/UFES y treinta y nueve títulos de Literatura editados por la Lei Rubem Braga. Hoy la producción literaria de Espírito Santo es una de las mayores del país, proporcionalmente a su tamaño y expresión económica en el contexto nacional, a pesar de seguir desconocida en el escenario nacional. Varios factores concurrieron para que eso sucediera, según pude demostrar en la investigación realizada sobre parte de la producción literaria de los años 80 (Ribeiro 1993: 266). La gran publicación de los años 90 aún deberá ser estudiada, principalmente por los alumnos de postgrado en Le- tras, recién iniciado en nuestro Estado. Sin embargo, ya se puede afirmar que no se trata, tan sólo, de una literatura provinciana, copia o simulacro de modelos europeos, estadounidenses, cariocas o baianos, como se ha hecho, en Espírito Santo, hasta hace muy poco.

La literatura de Espírito Santo, a partir de la década del 70 y, sobre todo, en las dos últimas décadas, está inserta en el contexto de una literatura producida en la América Latina, en la que el escritor rechaza lo espontáneo y asume su escritura como “dever lúcido e consciente”, conforme a las palabras de Silviano Santiago (1978), en un texto no muy reciente, aunque actual. Reinaldo Santos Neves, Bernardette Lyra, Amylton de Almeida, Valdo Motta, Sérgio Blank, Paulo Sodré son autores del mismo nivel de cualquier otro autor brasileño divulgado por la “midia” y conocido nacionalmente. De no serlo, todavía, es porque “o Brasil não conhece o Brasil”.

7. Conclusiones
La literatura producida en Espírito Santo se puede considerar “marginal” o “periférica” por dos motivos: uno geográfico y otro cultural. Del siglo XVI al XX, toda la literatura producida por capixabas o en Espírito Santo tenía como modelos los centros europeos -Lisboa, Madrid o París- o nacionales -Salvador, Rio de Janeiro o São Paulo-, aún cuando se vivía al margen de esos centros, geográfica o culturalmente, pues pretendían copiar o imitar aquellos modelos. En el siglo XVI, la literatura brasileña tan sólo se iniciaba, con la literatura jesuítica (catequística o informativa) o la literatura informativa sobre Brasil. Espírito Santo estuvo en el centro de esa producción, como capitanía, promisoria, “a mais fértil e a mais provida de todos os mantimentos da terra”, “a terra mais abastada e melhor de toda a costa”, “a melhor e mais fértil do Brasil”, según atestiguación de Gandavo, Pe. Antônio Pires o Pe. Afonso Brás.

Ahora bien, con el descubrimiento del oro en Minas Gerais, Espírito Santo perdió gran parte de sus tierras y casi todos los habitantes. Durante doscientos años, se transformó en una provincia fantasma, tierra de mujeres, indios, niños, funcionarios públicos y esclavos, una barrera natural de florestas y ríos para proteger las minas de oro. Su literatura en los siglos XVII y XVIII es proporcional a su riqueza: nula. En el siglo XIX, surgieron los primeros escritores efectivamente capixabas que, sin embargo, reprodujeron los modelos “pequeñoburgueses” del romanticismo nacionalista, imperial y esclavocrata. El Pe. Marcelino Duarte y el Dr. Muniz Freire son los prototipos de los intelectuales y políticos capixabas de la 1a y 2a mitad del siglo anterior.
El siglo XX tardó en llegar a Espírito Santo. El modernismo, a través de su versión antropofágica, podría haber llegado por medio de Garcia de Resende, João Calazans, Atílio Vivacqua y Vieira da Cunha, en 1929, en un Congresso de Antropofagia que no hubo (Bussat- to 1993: 28-102). Carta de Garcia de Resende a la Revista de Antropofagia, de 12/06/1929, así decía: “Nós aqui somos poucos mas bons. O Espírito Santo tem a vantagem de não estragar talentos com manifestações de amor às letras. Nunca teve literaturas. Agora é que estamos formando o pessoal. E tem gente de muito boa brasilidade”.
La literatura de Espírito Santo sigue al margen de la producida en los grandes centros del país, en la “periferia” de Rio, São Paulo, Belo Horizonte o Brasília, así como de la producción cultural de todos los otros estados brasileños. No obstante, ya no depende cultural, intelectual y económicamente para existir. Ha creado mecanismos para sobrevivir.

Podemos, ahora, parafrasear/parodiar a Garcia de Resende, afirmando respecto a la literatura producida en Espírito Santo, en los últimos veinte años:
Nós aqui somos muitos e bons. Temos a vantagem de esbanjar talentos até com manifestações de amor às letras. Temos, agora, literatura. Continuamos formando e divulgando o pessoal. Boa brasilidade é conhecer, também, o que fazemos aqui.

Notas
1. P. de Vasconcelos, B. Doemon, Simões da Fonseca e Francisco de Almeida, mencionados por A. Cláudio, lo tienen por “apixaba” ( op. cit. p. 45). A. Coutinho, en apunte de la p. 624 lo considera baiano (Enciclopédia da Literatura Brasileira. Rio de Janeiro. MEC/FAE, 1980, v. 1.
2. A marca da poesia no texto capixaba”. Jornal A Gazeta, Caderno Dois, 25/05/94 e “lei Rubem Braga: festa de conteúdo polêmico”, idem, 26/05/94.

Bibliografía
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Francisco Aurelio Ribeiro (Professor e Doutor em Letras.Presidente da Academia Espírito-santense de Letras)